domingo, 16 de abril de 2017

A ave Secretário


O Secretário, também chamado de Serpentário, (Sagittarius serpentarius), é uma ave de rapina africana de hábitos diurnos.

Ela habita todas as regiões da África do Sul e do Saara, preferindo em geral as savanas, mede em média 1,5 m de altura, sendo os machos apenas um pouco maiores que as fêmeas.

Seu bico é curvo e pontudo, os pés terminam com garras superfortes e unhas bem afiadas, características comuns em aves de rapina. Vivem geralmente em casais, costumam fazer voos baixos geralmente planando nas correntes de ar e também caminham muito durante o dia, a cerca de 3 km/h.

A alimentação do secretário tem como base as serpentes, mas ela pode também se alimentar de roedores e anfíbios. Essa ave usa suas pernas longas e fortes para dominar e matar o animal com poderosos chutes na cabeça.

Na hora da caça ela fica de asas abertas fazendo um tipo de dança, (foto), para que as sombras das assas confundam a presa e assim ela possa fazer ataques certeiros.

Veja aqui um vídeo de como essa ave faz para matar sua presa!  
Em um documentário sobre animais africanos que assisti recentemente, foi relatado que essa ave, além de ser a única espécie de sua família, Sagittariidae, ela também é a única ave do mundo que pode regurgitar água, visto que entre as aves, somente alimento sólido é regurgitado, justamente para alimentar o parceiro ou os filhotes.

Os ovos dessa ave são alongados e de cor cinza azulado, sendo chocados de 40 a 46 dias pela fêmea que não abandona o ninho, assim, o macho é quem fica responsável por alimenta-la durante esse período. Os filhotes depois de nascidos estarão em condições de seguir sua vida independente com cerca de 3 meses de vida.

Essa ave ainda não está correndo risco de extinção, mas sua população é pequena devido ao número de ovos que coloca por postura, apenas dois uma vez por ano.

Agora você deve estar se perguntando, mas afinal por que ela se chama Secretário? Bem, na verdade seu nome é uma corrupção da língua árabe, saqr-et-tair, palavra essa que significa "ave caçadora".

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quarta-feira, 1 de março de 2017

Rastros humanos



Quando nos deparamos com a palavra rastros, logo vem a nossa mente marcas como as pegadas deixadas por animais em locais pelos quais tenham passado. Mas quantos de nós, seres humanos, será que já pararam para pensar em que rastros estamos deixando no planeta durante essa nossa estada por aqui?

Segundo os cientistas, os humanos existem há cerca de 195 mil anos, isso é menos de 0,01% da história terrestre, que é de 4,5 bilhões de anos, mas, já alteramos tanto a química e a biologia do planeta que, em 1995 o cientista holandês Paul J. Crutzen, Nobel de Química daquele ano, criou um novo conceito, que seria uma nova época na história geológica do planeta, o Antropoceno.

As Eras, Épocas e Períodos são unidades usadas para dividir o tempo geológico do planeta baseadas nas grandes mudanças que ele sofreu, segundo Crutzen, o Antropoceno teria seu início na época em que o ser humano começou a alterar consideravelmente as características do planeta, ou seja, começou a deixar sua marca definitiva. 

A única discussão entre os cientistas seria definir se essa época se iniciou há 200 anos atrás com a revolução industrial, ou deveria ser considerada já em meados de 1945, visto que os sedimentos já estariam contaminados devido aos testes nucleares.

E essas alterações continuam a ocorrer até hoje, na porção terrestre, por exemplo, com a construção de cidades e a expansão da agricultura mudando completamente o relevo. Na atmosfera, com o lançamento de gases tóxicos, nos rios, lagos e oceanos com o despejo de fertilizantes e metais pesados, além das alterações feitas nos cursos de rios para a construção de represas e se não bastasse, tudo isso ainda causando extinções de outras formas de vida.

Mais da metade das pessoas do mundo já moram em áreas urbanas, e segundo ainda os pesquisadores, no futuro, os geólogos irão encontrar sedimentos muito diferentes ao analisar nossas áreas costeiras, elas serão camadas geológicas com concreto, metal e plástico.

Mas, será que o homem não se dá conta do que está fazendo?

Minha opinião é que isso tem muita relação com uma coisa que está presente no nosso dia-a-dia: o lixo doméstico. 
Vejam, cada vez que um cientista afirma, por exemplo, que a atmosfera está sendo afetada pela queima de combustíveis fósseis, e que isso está causando o aquecimento do planeta, ainda há quem duvide de tais afirmações só porque não está vendo nada acontecer no céu!

Acho que o homem é muito de se impressionar somente com aquilo que ele pode ver, pois, de uma forma geral a partir do momento em que o problema não é visto, é como se não existisse, e vida que segue.
Fico imaginando o que já há de lixo depositado no solo dos oceanos, mas há quem duvide, afinal de contas não está vendo nada!

Nas minhas últimas férias fui pescar na região de Santos-SP, e foi justamente por essa pescaria que resolvi escrever sobre o assunto do impacto do homem na terra, já que foi a primeira vez em que pesquei mais lixo do que peixe. 
Fiquei realmente abismado com a quantidade de plástico que vi, imagino a quantidade de lixo que existe, mas já não vemos mais. 

Isso só reforça a teoria do cientista que citei acima, que existirão no futuro camadas geológicas de plástico, e isso é realmente lamentável.

Quando me deparo com esses “rastros humanos”, me pergunto: Será que o homem é tão inteligente quanto pensa? Pois, que outro animal destrói o próprio habitat? 

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A Arara-azul


Psitacídeos é o nome dado ao grupo de aves que possuem como principal característica o bico arredondado e forte, e que é usado para quebrar e descascar sementes. Alguns exemplos desse grupo são: os papagaios, as cacatuas, os periquitos e as araras.

A Arara-azul, (Anodorhynchus hyacinthinus), é o maior psitacídeo do mundo podendo atingir 1,0 metro de comprimento da ponta do bico a ponta da cauda, ela pode chegar a pesar até 1,5 kg.
Sua plumagem azul é mais escura nas asas, o bico é cinza escuro e a mandíbula e o contorno dos olhos são amarelos.

Ela pode ser encontrada nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí, Maranhão, Bahia, Pará e Minas Gerais, geralmente observadas em bordas de matas e beira de rios onde há palmares.

Sua alimentação é basicamente formada por castanhas de frutos. Elas primeiro comem os frutos e eliminam os caroços, passado um tempo e já após a ação dos ventos e da chuva que deixam os caroços mais limpos, elas descem ao chão para quebrar a casca e comer a castanha.

Enquanto a alimentação acontece, sempre uma delas fica de sentinela para proteger o grupo, e a qualquer sinal de perigo ela abre o berreiro para que todas as companheiras se retirem do local imediatamente.

Como a maioria dos psitacídeos as araras são fiéis entre si, o casal passa a maior parte do tempo junto dividindo as tarefas e trocando carinhos, elas alisam e limpam as penas do parceiro, e esse carinho é chamado de “alopreening”.

A fêmea bota de 1 a 3 ovos e a incubação dura de 28 a 30 dias, durante esse período o macho fica responsável pela alimentação de ambos.
Após 3 meses de nascidos os filhotes já estão dando seus primeiros vôos e começando a se alimentar por conta própria.

Uma curiosidade é que as araras podem eventualmente ingerir um pouco de terra dos paredões onde elas costumam fazer seus ninhos, e isso acontece para que elas absorvam alguns sais minerais presentes no solo para compensar a falta deles no organismo.

Vimos acima que essa arara pode ser encontrada em vários estados brasileiros, mas porque será então que ela faz parte da lista de animais ameaçados de extinção?

A resposta é simples e infelizmente comum, além dos predadores naturais que atacam seus ovos, como os urubus, os gambás, e os quatis, as queimadas e o desmatamento causados pelo homem, infelizmente colaboram e muito para que essa ave se encontre nessa situação.


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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Simples carroceiros ou agentes ambientais?


Quem mora ou passa pelas grandes cidades, já se acostumou a conviver com os catadores de papelão e seus carros gigantes rodando pelas ruas. Pois, quem nunca teve que desviar de um desses enquanto dirigia ou era passageiro?

Geralmente, com suas carroças feitas de carcaça de geladeira ou madeira tosca, essas pessoas muitas vezes sustentam uma família inteira com essa atividade, e se por um lado são mal vistas por atrapalharem o trânsito e causarem poluição visual à cidade, por outro lado são essas pessoas que recolhem toneladas de lixo que tiramos de nossas casas e jogamos em nossas ruas.

O trabalho dos carroceiros contribui com a despoluição da cidade, pois dá-se o destino correto a alguns materiais e ameniza possíveis enchentes que possam ocorrer por causa desse lixo, apesar de infelizmente ainda ser comum vermos pneus e garrafas pet boiando pelos córregos.

Todo esse material depois de recolhido geralmente é vendido para os chamados ferros velhos, que posteriormente encaminham para empresas de reciclagem ou cooperativas. Todo esse processo colabora diretamente com a preservação do meio ambiente e também com a geração de emprego e renda.

Em um ferro velho de médio porte, em média, são depositados aproximadamente 7.000 kg de ferro, 10.000 kg de papel, 200 kg de alumínio e 100 kg de cobre por mês, esse último sendo o de maior valor comercial.

Muito importante lembrar que temos também o lixo eletrônico, são toneladas de monitores, impressoras, teclados e celulares que ficam ultrapassados e são substituídos com uma rapidez surpreendente. É importante saber que metais pesados como o mercúrio, o cádmio e o chumbo estão presentes nesses equipamentos e podem causar grandes danos ao meio ambiente e ao homem se descartados incorretamente.

Um carroceiro trabalhando de segunda a sábado, pode ganhar até um salário mínimo por mês, sendo esse o único recurso que irá dispor para se sustentar. Tenho um exemplo bem próximo a mim, um senhor sem estudos, que recolhe os recicláveis do bairro para com isso propiciar ao filho um futuro melhor que o dele, pois com essa renda ele paga os estudos do filho.

Vale lembrar também que, apesar de serem sim um tipo de agentes ambientais práticos, contribuindo com a coleta de materiais recicláveis, o aumento de pessoas nessa atividade está diretamente ligado ao desemprego e a crise pela qual passa o país.

Tenhamos fé então, que um dia uma atividade como essa seja apenas uma opção de trabalho para algumas pessoas, e não a única saída para algumas famílias não passarem necessidades.

E como se diz nos dias atuais, #fica a dica, façamos pelo menos nossa parte dentro de casa, a separação do lixo orgânico do reciclável.

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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A Coruja Suindara



A Coruja Suindara, (Tyto alba), é comumente chamada de coruja-da-igreja ou coruja-das-torres, e isso se dá porque essa espécie de coruja habita além das florestas, também as grandes cidades, e o local em que costuma ser observada empoleirada é principalmente nas torres de igrejas, onde também faz seus ninhos.

Essa ave tem sua distribuição muito ampla, se estendendo desde as Américas, África e também Europa, aqui no Brasil pode ser encontrada em todo o território.

Ela é considerada uma excelente caçadora, e esse sucesso na hora de caçar se dá por algumas características que esse animal possui, veja quais são elas:

Através da foto pode-se observar claramente o formato das penas de sua face, que funcionam como uma antena parabólica captando o som ao seu redor e enviando diretamente aos ouvidos.

A visão dela também é muito aguçada, pois suas pupilas são bem dilatadas lhe proporcionando uma ótima visão noturna. E por fim, as penas do corpo, que absorvem o impacto com o ar e não fazem nenhum barulho quando ela está voando, não alarmando assim a presa, que será pega de surpresa.

Essa espécie alcança em média 35 centímetros de altura e pesa entre 300 e 400g. Sua alimentação é composta principalmente por ratos e insetos, e em uma única noite uma coruja como essa pode capturar até seis camundongos, ficando claro então a importância dela para nós, já que faz um controle biológico dessa praga.

Depois de caçar e engolir um rato inteiro, e passadas algumas horas, ela regurgita uma bola de pelos, bola essa que contém em seu interior os ossos do animal que foi devorado.

Uma história que ouvi uma vez e acho importante de aqui registrar é a seguinte:

Um filhote de coruja uma vez caiu do ninho, algumas pessoas temendo que ela pudesse trazer azar apedrejaram esse filhote para tentar mata-lo, por sorte uma outra pessoa recolheu o animal já ensanguentado e o encaminhou para um zoológico, onde depois de muito trabalho os veterinários e biólogos conseguiram evitar que ele morresse.

E é por esse tipo de história que acho muito importante acabarmos com essas lendas absurdas que ainda resistem entre alguns, é preciso saber e fazer saber que um animal desses não nos traz mal algum, mas o contrário, como vimos, eles só nos ajudam e possuem assim seu papel importante na natureza, como nós considerados animais “sapiens” também deveríamos ter.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O Escorpião-amarelo


Se tivéssemos um pódio para os escorpiões mais venenosos do mundo, o nosso Escorpião-amarelo ficaria com a medalha de bronze. Nosso, porque ele é brasileiro, e medalha de bronze porque é o terceiro mais venenoso.

Os escorpiões são artrópodes aracnídeos, e são 1600 espécies pelo mundo, 140 delas encontradas aqui no Brasil. Aliás, aqui no nosso país só no ano de 2015, 74.500 pessoas foram vítimas de picadas de escorpiões.

A picada do Escorpião-amarelo pode matar, principalmente crianças e idosos. Ela causa além de dores fortes no local picado, tontura, suor, vômitos e insuficiência cardíaca e respiratória.

Essa espécie vive em média 10 anos e ocorre nas regiões centro-oeste e sudeste do país, desde os campos até as grandes cidades.

A reprodução do Escorpião-amarelo, até pouco tempo atrás, era conhecida por ocorrer apenas através da partenogênese, que é a reprodução assexuada, e somente com o nascimento de fêmeas. Porém, recentemente pesquisadores relataram ter encontrado nos estados de Minas Gerais e Bahia, populações onde existiam machos e fêmeas, e onde a reprodução seria de forma sexuada.

Nascem entre 20 e 30 filhotes por gestação, e passam um tempo em cima do dorso da mãe antes de sair para a vida por conta própria.

Em geral, os escorpiões se alimentam de outros aracnídeos como as aranhas, e insetos, principalmente de baratas. Eles gostam de lugares úmidos e escuros, podendo se esconder inclusive dentro de sapatos, e é por isso que tantos acidentes acontecem.

Os inseticidas comuns não costumam funcionar com os escorpiões, e eles ainda podem se fingir de morto quando ameaçados. Sendo assim, uma chinelada se torna mais eficaz.

Para caçar ou se defender, os escorpiões podem injetar seu veneno através de uma estrutura que se chama aguilhão, e o antídoto para as pessoas picadas é chamado de Soro-antiescorpiônico.

As estruturas que parecem braços e que terminam em garras são chamadas pedipalpos, e são usadas para manusear as presas. Já a mastigação do alimento é feita com as quelíceras, estrutura essa também presente nas aranhas, mas que o escorpião movimenta para os lados como uma tesoura.

Os principais predadores dos escorpiões são algumas aves, como as corujas, alguns sapos e também macacos.

Uma boa dica para quem tem problemas com escorpiões entrando em casa, é a de criar algumas galinhas, pois elas irão comer os escorpiões que passarem por elas, além disso elas vão lhe fornecer ovos frescos.

E por fim, completando o pódio, os escorpiões que ocupam os dois degraus mais altos são: em primeiro, o Escorpião Negro, encontrado na África, e em segundo, o Escorpião Amarelo da Palestina, encontrado no norte da África e também na Ásia.

Obrigado pela leitura!

domingo, 25 de setembro de 2016

O Bicho-pau


Dentro da zoologia, a área que estuda os insetos e sua interação com o ambiente chama-se entomologia. E um dos insetos que, pelo menos para mim, é um dos mais interessantes entre as mais de 900.000 espécies até hoje conhecidas, é o Bicho-pau.

Existem hoje aproximadamente 2.000 espécies de bichos-pau, e sua principal característica é a sua capacidade de camuflagem no ambiente em que vive, já que ele se parece e muito com um galho de árvore ou um pedaço de madeira.

O bicho-pau é muito dócil, não transmite doenças e é de fácil cuidado, por isso que algumas pessoas criam esse animal como bichinho de estimação.

Ele é um animal herbívoro, se alimentando geralmente das folhas de árvores como as goiabeiras e pitangueiras.

Quando ele se desloca, anda muito devagar e se balançando, isto para imitar um galho de árvore balançando com a ação do vento, assim ele não desperta a atenção de seus predadores, como algumas aves e répteis.

A reprodução do bicho-pau é muito interessante, pois pode ser sexuada ou assexuada, já que a fêmea pode procriar com ou sem a participação do macho. Se houver um macho presente, ele será utilizado pela fêmea. Mas se não houver, ela se reproduz pelo que se conhece como partenogênese, que é uma reprodução solitária, mas igualmente eficaz.

A fêmea produz em média 150 ovos que são literalmente largados na terra nas proximidades de onde ela vive, mas não todos juntos, e isso ocorre para garantir o sucesso da espécie já que diminui a chance de um predador achar e devorar todos os ovos juntos.

O macho é geralmente menor que a fêmea e possui pequenas asas que lhe são úteis para um deslocamento pequeno, já a fêmea não possui asas.

Eles não são considerados uma praga, e, portanto, não geram grande preocupação para as plantações, pois a sua multiplicação é pequena e lenta. Seu tempo de vida não passa de um ano.

O habitat dele são as florestas tropicais, mas pode ser encontrado também nas cidades, mas é um animal que tem maior atividade no período noturno, por isso fica mais difícil ainda de conseguir vê-lo.

O maior bicho-pau registrado até hoje foi encontrado na China, tinha 62 cm.

Esse é o bicho-pau, mais um ser que mora conosco nessa bela bola azul.